Certificação e Produção Integrada em debate na Expoagro Afubra

23, março de 2017

As proporções exageradas que a operação Carne Fraca tomou sobre o mercado das carnes do Brasil em todo o mundo, gerando a suspensão de compras de diversos mercados por causa de 21 frigoríficos sob suspeita de fraude, é um claro exemplo de que a certificação é um caminho necessário, que precisa ser trilhado pela agropecuária nacional. A opinião foi apresentada pelo superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no Rio Grande do Sul, Roberto Schroeder, na abertura da reunião da Comissão Estadual de Produção Integrada, formada por 11 técnicos.

Segundo ele, com a certificação seria mais difícil abalar a credibilidade e dos processos e da qualidade da carne brasileira, que são bons e estão entre os melhores do mundo. Fatores como a rastreabilidade, a garantia de uso de boas práticas agrícolas e pecuárias e ambientais chanceladas por certificadoras reconhecidas internacionalmente, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e o governo brasileiro, fariam a diferença em muitos mercados. E facilitariam a recuperação.

Representantes de organismos certificadores, Ministério da Agricultura, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sindicato Interestadual das Indústrias de Tabaco (SindiTabaco), Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e universidades debateram o tema e o andamento dos projetos ligados à Produção Integrada que estão recebendo R$ 725 mil em financiamento do governo federal para eventos, material impresso e treinamento. A presidente da comissão, Edna Ferronatto, da Superintendência do MAPA, destacou a retomada de impulso no programa a partir do financiamento e da remobilização das equipes e cientistas.

Ela também destacou o cenário do mercado de carnes como exemplo de que a agropecuária nacional deve buscar a certificação por meio da produção integrada. Considera que o foco do momento nestes mercados é a retomada da confiança do consumidor, que com o selo Brasil Certificado seria garantida. O impacto da crise das carnes é simbólico porque demonstra que a segurança alimentar é uma questão de soberania e que qualquer falha no sistema é capaz de fragilizar não só a cadeia produtiva, mas toda a economia do país.

TABACO - O tabaco já integra a Produção Integrada há três anos e este tem sido um diferencial de qualidade e integridade do produto brasileiro para o mercado internacional. `Atualmente, a certificação obtida pela produção integrada tem mais representatividade do que a indicação geográfica, por exemplo, e uma maior aceitação tanto na compra do produto pelas indústrias, quanto pelos clientes internacionais´, explica Darci Silva, diretor do SindiTabaco e coordenador do projeto no setor. Marco Dornelles, da Afubra, também integra a comissão da PI Tabaco e participou da reunião destacando a importância deste debate e do projeto para a inserção do produto brasileiro nos mercados.

O que é Produção Integrada? - O Sistema de Produção Integrada é focado na adequação dos processos produtivos para a obtenção de produtos vegetais e de origem vegetal de qualidade e com níveis de resíduos de agrotóxicos e contaminantes em conformidade com o que estabelece a legislação sanitária, mediante a aplicação de boas práticas agrícolas, favorecendo o uso de recursos naturais e a substituição de insumos poluentes, garantindo a sustentabilidade e a rastreabilidade da produção agrícola na etapa primária da cadeia produtiva, que é passível de certificação pelo selo oficial “Brasil Certificado”.

 

 

Jorn. Cleiton Evandro dos Santos – MTb/RS 10.177 – Expoagro Afubra 2017

Foto: Luiz Fernando Bertuol/Afubra

Tags: Expoagro Afubra, Tabaco, Produção Integrada

COMPARTILHAR:

Top