Produtores, entidades e deputados querem sensibilidade da indústria nos preços do tabaco

23, março de 2017

As dificuldades de comercialização do tabaco na safra 2016/17 entraram em debate nesta quinta-feira, 23 de março, na Audiência Pública da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizada na Expoagro Afubra, no Parque de Exposições de Rincão del Rey, em Rio Pardo. A queixa dos produtores é o fato das indústrias praticarem preços diferentes e terem ´apertado` a classificação, aumentando o nível de exigência de qualidade do tabaco – critério contrário ao ano passado – desvalorizando o produto.

Diversos produtores, vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, sindicalistas das regiões fumageiras gaúchas apresentaram relatos de preocupação com a queda na renda do produtor e nos preços. ´É uma situação que afeta a economia gaúcha, dos municípios, entre os quais muitos são dependentes da renda do tabaco, e razão pela qual nos últimos quatro anos quase 10 mil famílias abandonaram a cultura, representando 14 mil hectares abandonados´, diz o deputado estadual Marcelo Moraes (PTB), proponente do encontro.

A audiência teve a presença de seis deputados estaduais além de Marcelo Moraes: Adolfo Brito (PP), presidente da Comissão, Elton Weber (PSB), Edson Brum (PMDB), Pedro Pereira (PSDB) e Zilá Breitenbach (PSDB); e um deputado federal: Heitor Schuch (PSB). Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores da Agricultura do RS (Fetag), sindicatos rurais e dos trabalhadores rurais, Associação dos Fumicultores do Brasil e Sindicato Interestadual das Indústrias do Tabaco (SindiTabaco) também participaram.

Algumas perguntas foram dirigidas ao presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, pelos presentes, que explicou não ter mais a sua entidade integrado as negociações de preços por causa de orientação legal que determina os acordos entre produtores e indústrias, individualmente. `Ainda assim, aqui estou para conversar dentro de um conceito de cadeia que temos fortalecido e para lembrar que no ano que vem vamos comemorar 100 anos de produção integrada, um programa que tem suas dificuldades, mas se não tivesse méritos não chegaria a um século´, disse.

Recomendou que os produtores busquem as indústrias as quais estão integrados e tentem negociar os valores e entender as características do fumo que o mercado demanda, pois o Brasil exporta 90% da produção, mas não é competitivo em alguns tipos de tabaco. Segundo ele, a lei de oferta e demanda está se aplicando no atual cenário.

Celso Krämer, vice-prefeito de Venâncio Aires e fumicultor, afirma que é inviável produzir tabaco pelos preços atuais. `Estive ontem na beira da esteira pra vender meu baixeiro. Em produto que recebia R$ 125,00 a R$ 130,00 ano passado, agora recebi entre R$ 68,00 e R$ 73,00. Além disso, nos contratos de fornecimento, os insumos chegam a valer o dobro daquilo que se encontra em qualquer loja agropecuária´, reclama.

O presidente da Comissão da Agricultura, Adolfo Brito, lamentou a ausência das indústrias, individualmente, do debate, apesar da presença de representantes na plateia. Para Benício Albano Werner, presidente da Afubra, o momento é de buscar uma solução emergencial e retomar o diálogo sobre os preços com a indústria. `Precisamos, agora, resolver um impasse com as fumageiras nos preços e nos critérios de classificação de maneira a minimizar as perdas dos fumicultores. Isso é urgente´, assegura o dirigente. Para isso, a Comissão da Agricultura da

Assembleia deverá convocar uma reunião com as empresas compradoras, representantes dos produtores e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em Porto Alegre.

Num segundo momento, o setor produtivo vai empreender esforços para voltar a negociar um piso de preços diretamente com o SindiTabaco para as próximas safras. `É muito desgastante negociar com 10, 12 empresas e cada uma praticar um preço e um critério de classificação. Para esta safra, pela primeira vez na história, houve empresa querendo reduzir os preços, mas conseguimos o repasse de 5,8% da inflação. Ainda assim, via classificação, estamos assistindo valores reais muito menores´, acrescenta.

Outro ponto decidido entre as entidades representantes dos produtores, municípios, trabalhadores e deputados foi o aumento do trabalho de conscientização dos agricultores em busca de uma estabilização de oferta. Para Benício Albano Werner, os fumicultores também devem fazer a sua parte aceitando as orientações das entidades quanto ao dimensionamento das áreas plantadas.

 

Preços médios pagos ao produtor por quilo de fumo

Safra 2015/16* 2016/17**

RS 10,17 9,03

Sul 10,03 8,95

 

*Consolidada

**Projeção baseada em pesquisa parcial com 774 produtores no Sul e 263 no RS, com 20% da safra comercializada.

Fonte: Afubra

 

Jorn. Cleiton Evandro dos Santos – MTb/RS 10.117 – Expoagro Afubra 2017

Foto: Lula Helfer/Afubra

Tags: Expoagro Afubra, Tabaco, Audiência Pública

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